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ESCOLA PREPARATÓRIA SECUNDÁRIA DE MIRAGAIA DO ARQº MIGUEL REGUEIRAS |
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1992 (participação
em co-autoria
no Projecto de Execução) |
PLANTA/ CORTES/ ALÇADOS MODELO 3D FOTOGRAFIAS |
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O terreno disponível para a Escola C+S de Miragaia assume uma ingrata inserção na estrutura urbana da zona, fulcro de transição entre forças e estados vários, espécie de ponto morto em equilíbrio instável. Sítio de abrupto acidente topográfico, fronteira entre malhas e tipologias construtivas, vocações funcionais, extractos sociais; entre cenários, naturais ou acrescentados. A Quinta do Espírito Santo e da Cochela beneficia entretanto de uma boa exposição e abrigo, mau grado a sua convexidade. Abre-se bem à paisagem, dominando a margem oposta numa extensão de vários quilómetros. Para Nascente e Norte, erguem-se "muralhas" que enquadram o local, por mais que se lhes vire costas: o Jardim das Virtudes, o Palácio da Justiça, a Rua da Restauração e o Hospital de Santo António. A Quinta das Virtudes e a sua vegetação luxuriante e exótica, vem de alguma forma amenizar esse avanço; também a Fonte das Virtudes, na sua qualidade de elemento próximo e marcante, contribui para uma primeira referenciação à precária acomodação do sítio em causa. O programa da Escola torna-se, aqui, um desafio, dada a sua complexidade de inter-relações que pressupõem uma construção relativamente plana e compacta. Mas não é uma impossibilidade, apesar de o terreno ser, de facto, adversamente movimentado, com desfasamentos altimétricos que chegam aos oito metros e extensas plataformas longilíneas. É flagrante, ainda, a necessidade de intervir neste local de certo modo degradado e confuso, por forma a valorizá-lo e recosê-lo a partir do potencial transformador de um edifício de utilidade pública, implementando uma ordenação de limites mais vastos, numa acção catalisadora que medie relações urbanas interrompidas, estabelecendo compatibilidade entre os contrastes em presença que relegam actualmente os terrenos da Quinta do Espírito Santo e da Cochela ao (não) estatuto de "terra de ninguém".
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Exprimindo uma linguagem abstracta como factor de isenção no seu papel moderador, o edifício relê, para inspiração, referências bem concretas: a forma geral do terreno e a expressão dos seus socalcos, o enfiamento da Calçada/Fonte das Virtudes, o desafogo panorâmico a Poente, bem como toda a metamorfose tipológica desenrolada ao longo do território miragaiense até ao rio - num desejo de fazer confluir, sustendo e reflectindo, as forças tectónicas impressas neste trecho da cidade, opondo um balanço quase simétrico que as debrue e estabilize. As preocupações de ordem funcional ocuparam, em paralelo, lugar de igual destaque, procurando satisfazer globalmente as Recomendações Sobre Construção Escolar, desde áreas e inter-relações espaciais, até orientação e dimensionamento de vãos, ou comportamento energético do edifício, intentando uma síntese lógica e coerente. A Escola foi zonificada internamente por grupos funcionais consoante necessidades diversas, seja de distanciamento ou centralidade, afinidade ou sequencialidade, proximidade, identidade, etc.. Essa desmultiplicação que, a par da adaptação à morfologia do terreno origina alguma individualização sectorial, proporciona um bom leque de alternativas em termos de acessos e percursos, reforçando dessa maneira a segurança e utilização do edifício. A generalidade do edifício apoia-se numa estrutura modular propícia à compartimentação e suas associações de 7.12 por 7.12 metros, que se multiplica ou subdivide em função das necessidades programáticas. O desenho dos espaços exteriores desenvolve-se a partir da tensão gerada entre a colocação dos muros pré-existentes - pontualmente deslocados ou corrigidos - e a geometria reguladora da composição arquitectónica edificada. Daqui derivam enfiamentos e espaços, percursos e pausas, marcados por uma distribuição arbórea estratégica. |
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