CENTRO ARQUEOLÓGICO, APARTHOTEL E CENTRO HÍPICO

ESCRITÓRIO

OBRAS E PROJECTOS

1998   (projecto solicitado pelo Arqº Germano Castro Pinheiro)
Monte de São Lourenço, Esposende
Estudo Prévio
GESTIBEM

PLANTA/ CORTES/ ALÇADOS

ESQUISSOS

MODELO 3D

FOTOGRAFIAS

MEMÓRIA DESCRITIVA

 

1. Estratégia geral

O plano de ocupação do Monte de São Lourenço, em Esposende, que se apresenta em fase de estudo prévio, prevê a criação de três equipamentos - Centro Arqueológico (A), Aparthotel (B) e Centro Hípico (C) - que visam potenciar o interesse turístico do local relevando aspectos de natureza histórico-cultural do território onde se inserem e reforçando a sua vocação para actividades de lazer, assim como, o tratamento de toda a área verde envolvente. Além disso, propõe-se dar maior expressão à componente habitacional da zona, através da criação de um condomínio fechado (D), constituído por habitações unifamiliares, de dois pisos, associadas em banda.
Naturalmente, a inserção destes equipamentos e das bandas habitacionais no terreno, pressupõe a melhoria dos acessos através da recuperação e alargamento dos arruamentos existentes ou pela construção de novos, que se delinearam a partir da malha existente e em conformidade com a topografia.

Todas as construções propostas se inserem na paisagem segundo o mesmo princípio, isto é, em solidariedade com o terreno.

O Centro Hípico ganha a zona de planície; o Aparthotel encosta-se a uma vertente e o corpo dos apartamentos segue a sua curvatura; o Centro Arqueológico, sendo um edifício, é gerado pelo caminho que leva ao cimo do Monte de São Lourenço e a cobertura do auditório interior é ela mesma um anfiteatro ao ar livre feito de terreno natural. As bandas habitacionais, por sua vez, dispõem-se em concordância com as curvas de nível.

2. Centro Arqueológico (A)

Este centro pontua o percurso de acesso ao monte onde se encontram vestígios de um castro e procura ser, em si mesmo, uma porta que se abre para a descoberta desta cultura (castreja) particularmente marcante no noroeste peninsular. Constitui-se, assim, desde logo, com o polo difusor de visitas ou expedições, ao sítio e à região e, para além de permitir a exposição de materiais recolhidos, a realização de conferências, encontros e outro tipo de reuniões, este Centro é ainda um local de trabalho, de formação e reflexão, sobre a temática da arqueologia.

O edifício, com uma área de implantação de 1.103 m2, e uma área de construção de 2.021 m2, desenvolve-se em dois pisos, ficando sediados no primeiro a área administrativa, as salas e gabinetes de trabalho, a área de exposição e o auditório, bem como os serviços de apoio - guarda-roupa, sanitários e bar. No piso superior encontra-se uma oficina com o respectivo balneário/vestiário e a biblioteca que ocupa a área de varandim sobre a zona de pé-direito duplo da área expositiva. Dos vários dispositivos de captação de luz natural salientamos o lanternim sobre a área de exposição que se eleva a cima da cobertura e deve a sua orientação enviesada à necessidade de proteger aquela área da incidência directa dos raios solares e também à possibilidade de visualizar o cimo do "monte-castro" de São Lourenço, a partir do interior do edifício.

3. Aparthotel (B)

O Aparthotel, ou Hotel-apartamento, é um edifício de quatro pisos, com uma área de implantação de 2.506 m2 e uma área

 

 

 

total de construção de 7.092 m2.

Obedece aos requisitos gerais definidos para este tipo de estabelecimentos no Regulamento Geral dos Empreendimentos Turísticos (Secção VII, Subsecção I) e aos requisitos particulares definidos para os hotéis--apartamentos de três estrelas (Subsecção III).

O conjunto edificado é constituído por dois corpos encastrados, cuja leitura se individualiza quer pela forma planimétrica e altimétrica quer pela diferenciação funcional. O mais baixo, de um só piso, alberga o átrio de entrada e recepção, a zona de estar e o restaurante. O mais elevado, de 4 pisos, corresponde, fundamentalmente, aos apartamentos embora, a nível do piso térreo, compreenda as restantes áreas de serviço, duas áreas comerciais e sanitários de uso público.

Os apartamentos, no total de 26 (7 deles têm dois quartos de dormir tendo os restantes 19 apenas um), distribuem-se do seguinte modo: dois ocupam a ala poente do piso 0; os pisos superiores, do 1º ao 3º, albergam oito apartamentos por piso.

A forma curva do corpo dos apartamentos (subsidiária, como se disse, do movimento do terreno) permite ampliar a frente dos apartamentos, abrindo a Sul os quartos e salas comuns, bem como as respectivas varandas. Do lado oposto situam-se os quartos de banho e as kitchenettes, bem como as entradas, às quais se acede através de uma galeria-corredor, delimitada pela curvatura da parede Norte e pelas reentrâncias e saliências devidas aos acessos horizontais aos apartamentos e verticais às caixas de escadas e elevadores.

4. Centro Hípico (C)

O Centro Hípico será o principal polo de desenvolvimento desportivo deste empreendimento e, para além de permitir a realização de diversas actividades no seu vasto recinto de 12.330 m2 de área, poderá ser o centro de irradiação de passeios a cavalo em toda a área envolvente.

Este Centro Hípico, em concreto, cuja área de implantação é de 2.625 m2 e a área de construção de 4.684 m2, é dotado de uma pista de saltos de obstáculos contornada por uma bancada para público, de cavalariças com boxes individuais (60) e duplas (12) - com possibilidades de ampliação para NE -, de um picadeiro coberto e de outro ao ar livre e ainda de instalações para um Clube Hípico.

A área correspondente ao Clube ocupa o piso superior do edifício sendo constituído por uma área administrativa, balneários/vestiários, sanitários, uma loja de produtos ligados ao hipismo, uma bancada sobre o picadeiro e ainda um café/bar com esplanada.

O edifício desenvolve-se em L abraçando as bancadas, que se dispõem em anfiteatro em torno da pista. A partir do corpo elevado do picadeiro, o edifício vai-se escalonando em volumes de menor cércea que acabam mesmo por deixar de o ser quando se rompe a caixa onde se encontra o bar que se quer aberto para a esplanada exterior, apenas coberta por uma pala e quando, o corpo mais baixo das cavalariças, se "dissolve" nos muros que definem o recinto e a bancada situada do lado noroeste.

 

 

JOÃO PEDRO XAVIER - ARQUITECTO, LDA